Foi assim que se apresentou Alexandre Maron, atual diretor de Inovação Digital da Editora Globo, recebido pela ESPM na noite da última quarta-feira, dia 16 de novembro. Carioca de nascimento e jornalista por formação, Alexandre conversou um pouco com os alunos sobre seu trabalho – são quase 10 anos de experiências bem sucedidas na Editora, incluindo o lançamento da revista Época São Paulo em 2008 – e dividiu informações e opiniões sobre as novas mídias e plataformas bem como sobre o rumo que o marketing está tomando.
Segundo Alexandre, o papel do editor – exercido por ele durante um longo período – e das revistas está mudando: Não só de matérias e histórias vive o mercado editoral, mas também cercado com a questão das multiplataformas; “A marca não é mais representada somente pela revista: São produtos multimídia com vários públicos e várias maneiras de se comunicar com eles, através de plataformas diversas”, afirmou o palestrante.
A revolução digital que teve início com o surgimento e popularização da Internet gradualmente começou a intervir e influenciar a forma como o mercado editorial é estruturado e nas diversas abordagens relativas à quantidade de plataformas disponíveis e a presença da marca em cada uma delas. E-books, iPods, smartphones, tablets: cada um destes produtos gerou uma transformação na maneira como os consumidores interagem com conteúdos, lidam e buscam informações (não mais somente através do papel, mas por meio de um ecossitema de telas), tornando o conceito de multiplataforma uma realidade e desafio para os profissionais da área.
O palestrante afirmou que o leitor de hoje usa tecnologia para melhorar cada detalhe de sua vida; sendo assim, estar presente nos recursos utilizados por este leitor (mídias sociais, internet, aplicativos) torna-se uma oportunidade para que as empresas desenvolvam seu relacionamento com o consumidor, contribuindo para que suas experiências sejam melhoradas graças à marca – direta ou indiretamente.
Alexandre ressalta porém que deve-se ter cautela e oferecer aos seus públicos aquilo que faça sentido, ou seja, esteja de acordo com o universo e contexto de seu produto ou marca, oferecendo ao consumidor a possibilidade de interagir com a marca através de um dos seguintes pilares: Informação – que esteja de acordo com o contexto da empresa (por exemplo, informações sobre trânsito para uma seguradora de veículos); Serviços – que procurem facilitar a vida de seu cliente (seguindo o exemplo da seguradora de veículos, um aplicativo que informe o trânsito em sua cidade); e por fim, Paixões – explorar uma possível paixão ou interesse de seu público-alvo (novamente no caso da seguradora, um blog sobre carros, por exemplo).
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| Exemplo de aplicativo oferecido pela marca Dove , que reúne um serviço e uma paixão de suas consumidoras |
As empresas devem buscar seus consumidores – estando presentes onde a audiência se encontra. Adaptar-se à cada plataforma relevante para seu público, e ao mesmo tempo não perder sua essência: Um dos grandes desafios do mercado editorial ao lidar com a diversidade das plataformas existente hoje. De acordo com Alexandre, cada plataforma está relacionada a um comportamento diferente. “Desmontar o pacote”, como ele cita na palestra, é uma maneira de saber o que oferecer em cada uma das plataformas em que você está presente.
No mercado editorial, porém, é importante ressaltar que as revistas não perderam seu valor – pelo contrário, são valorizadas de tal forma que existem inclusive aplicativos e revistas digitais que conservam elementos analógicos: como arranhões em suas “páginas”, um tributo à arte de edição de uma revista impressa.
De acordo com Alexandre, as revistas tem ainda mais valor: Foram definidas em sua palestra como “Comunidades”, que reúnem interessados e apaixonados por determinados assuntos em um só lugar. A partir dessa definição é possível enxergar a revolução digital de outra maneira para as publicações impressas: Não como uma ameaça, mas como uma oportunidade de aproximar os membros de sua comunidade em outros locais que não sua própria revista.
O mercado editorial está se tranformando e não há caminho de volta: As multiplataformas exigem que a revista e sua marca adaptem-se e se façam presentes de maneiras diferentes, ainda assim mantendo sinergia e autenticidade perante seu fiel público e gerando um conceito muito valorizado atualmente: O engajamento de seus consumidores.
O futuro? Alexandre hesitou em chutar, mas compartilhou algumas dicas com seus espectadores:
1. Voce tem certeza de que está onde deveria estar? Esteja onde for relevante e adeque-se ao local.
2. Good enough ou bom o bastante – Seus clientes se ajustarão àquilo que for considerado bom o bastante por e para elas.
3. Facilite. Isso, agora facilite mais. - Você tem certeza de que esta oferecendo a sua audiencia a opção mais simples possível? Está? Ok. Então simplifique mais ainda. Pronto, agora jogue tudo fora e deixe ainda mais fácil. Derrube as barreiras de entrada.
4. Play Factor, gamification, funware...-Você está realmente preparado para uma audiencia que está acostumada com interatividade? Desafios(incentivos) estimulam a ação, que gera uma recompensa para o consumidor e para sua marca.
5. Contexto e Adaptação – Considere seriamente a forma como sua audiência irá consumir o conteúdo oferecido por você e esqueça o controle absoluto: A audiência deseja escolher como irá consumir seu conteúdo, então use a tecnologia a seu favor (com recursos como On demand, possibilidade de personalizar o layout etc).
6. Olhe o que os piratas estão fazendo – observe com atenção e use-os como fonte de inspiração, aprendendo com eles
7. Seu conteúdo tem relevância ligada à localização? Caso exista esse potencial, explore-o. A audiência de hoje está aprendendo o valor do contexto por localização.




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