quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Um filho da revolução tecnológica



Foi assim que se apresentou Alexandre Maron, atual diretor de Inovação Digital da Editora Globo, recebido pela ESPM na noite da última quarta-feira, dia 16 de novembro. Carioca de nascimento e jornalista por formação, Alexandre conversou um pouco com os alunos sobre seu trabalho – são quase 10 anos de experiências bem sucedidas na Editora, incluindo o lançamento da revista Época São Paulo em 2008 – e dividiu informações e opiniões sobre as novas mídias e plataformas bem como sobre o rumo que o marketing está tomando.

Segundo Alexandre, o papel do editor –  exercido por ele durante um longo período –  e das revistas está mudando: Não só de matérias e histórias vive o mercado editoral, mas também cercado com a questão das multiplataformas; “A marca não é mais representada somente pela revista: São produtos multimídia com  vários públicos e várias maneiras de se comunicar com eles, através de plataformas diversas”, afirmou o palestrante.

 A revolução digital que teve início com o surgimento e popularização da Internet gradualmente começou a intervir e influenciar a forma como o mercado editorial é estruturado e nas diversas abordagens relativas à quantidade de plataformas disponíveis e a presença da marca em cada uma delas. E-books, iPods, smartphones, tablets: cada um destes produtos gerou uma transformação na maneira como os consumidores interagem com conteúdos, lidam e buscam informações  (não mais somente através do papel, mas por meio de  um ecossitema de telas), tornando o conceito de multiplataforma uma realidade e desafio para os profissionais da área.



O palestrante afirmou que o leitor de hoje usa tecnologia para melhorar cada detalhe de sua vida; sendo assim, estar presente nos recursos utilizados por este leitor (mídias sociais, internet, aplicativos) torna-se uma oportunidade para que as empresas desenvolvam seu relacionamento com o consumidor, contribuindo para que suas experiências sejam melhoradas graças à marca – direta ou indiretamente.

Alexandre ressalta porém que deve-se ter cautela e oferecer aos seus públicos aquilo que faça sentido, ou seja, esteja de acordo com o universo e contexto de seu produto ou marca, oferecendo ao consumidor a possibilidade de interagir com a marca através de um dos seguintes pilares: Informaçãoque esteja de acordo com o contexto da empresa (por exemplo, informações sobre trânsito para uma seguradora de veículos); Serviços que procurem facilitar a vida de seu cliente (seguindo o exemplo da seguradora de veículos, um aplicativo que informe o trânsito em sua cidade); e por fim, Paixõesexplorar uma possível paixão ou interesse de seu público-alvo (novamente no caso da seguradora, um blog sobre carros, por exemplo).

Exemplo de aplicativo oferecido pela marca Dove ,
que reúne um serviço e uma paixão de suas consumidoras


As empresas devem buscar seus consumidores – estando presentes onde a audiência se encontra. Adaptar-se à cada plataforma relevante para seu público, e ao mesmo tempo não perder sua essência: Um dos grandes desafios do mercado editorial ao lidar com a diversidade das plataformas existente hoje. De acordo com Alexandre, cada plataforma está relacionada a um comportamento diferente. “Desmontar o pacote”, como ele cita na palestra, é uma maneira de saber o que oferecer em cada uma das plataformas em que você está presente.

No mercado editorial, porém, é importante ressaltar que as revistas não perderam seu valor – pelo contrário, são valorizadas de tal forma que existem inclusive aplicativos e revistas digitais que conservam elementos analógicos: como arranhões em suas “páginas”, um tributo à arte de edição de uma revista impressa.

De acordo com Alexandre, as revistas tem ainda mais valor: Foram definidas em sua palestra como “Comunidades”, que reúnem interessados e apaixonados por determinados assuntos em um só lugar. A partir dessa definição é possível enxergar a revolução digital de outra maneira para as publicações impressas: Não como uma ameaça, mas como uma oportunidade de aproximar os membros de sua comunidade em outros locais que não sua própria revista.   

O mercado editorial está se tranformando e não há caminho de volta: As multiplataformas exigem que a revista e sua marca adaptem-se e se façam presentes de maneiras diferentes, ainda assim mantendo sinergia e autenticidade perante seu fiel público e gerando um conceito muito valorizado atualmente: O engajamento de seus consumidores.


O futuro? Alexandre hesitou em chutar, mas compartilhou algumas dicas com seus espectadores:

1.    Voce tem certeza de que está  onde deveria estar? Esteja onde for relevante e adeque-se ao local.
2.    Good enough ou bom o bastante – Seus clientes se ajustarão àquilo que for considerado bom o bastante por e para elas.
3.    Facilite. Isso, agora facilite mais. - Você tem certeza de que esta oferecendo a sua audiencia a opção mais simples possível? Está? Ok. Então simplifique mais ainda. Pronto, agora jogue tudo fora e deixe ainda mais fácil. Derrube as barreiras de entrada.
4.    Play Factor, gamification, funware...-Você está realmente preparado para uma audiencia que está acostumada com interatividade? Desafios(incentivos) estimulam a ação, que  gera uma recompensa para o consumidor e para sua marca.
5.  Contexto e Adaptação – Considere seriamente a forma como sua audiência irá consumir o conteúdo oferecido por você e esqueça o controle absoluto: A audiência deseja escolher como irá consumir seu conteúdo, então use a tecnologia a seu favor (com recursos como On demand, possibilidade de personalizar o layout etc).
6.    Olhe o que os piratas estão fazendo – observe com atenção e use-os como fonte de inspiração, aprendendo com eles
7.    Seu conteúdo tem relevância ligada à localização? Caso exista esse potencial, explore-o. A audiência de hoje está aprendendo o valor do contexto por localização.







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